Leia o trabalho na íntegra: https://www.revista-samayonga.ao/index.php/inicio/article/view/73/63
Na direção pedagógica, tive a oportunidade de estruturar, na relação público-privado, um programa que assumiu oito prédios anexos às escolas municipais, alcançando aproximadamente oito mil alunos. Esses espaços foram equipados com impressoras 3D, cortadora a laser, câmeras digitais, prensa térmica digital plana para sublimação, cortadora de vinil, furadeira, desparafusadeira, alicates, entre outros recursos. Tratou-se de um dos maiores projetos tecnológicos já realizados em uma rede municipal de ensino, no qual assumi a responsabilidade de organizar estrategicamente toda a operação: desde a logística de uso/utilidade dos equipamentos até a contratação e formação de uma equipe composta por 24 monitores/mediadores, 02 coordenadores pedagógicos, 01 supervisor e 01 equipe central da mantenedora. Paralelamente, liderei a criação de 1.044 sequências didáticas para alunos do 1º ao 9º ano, organizadas em trilhas temáticas que abrangeram cultura digital, programação, cultura maker, prototipagem, modelagem 3D, robótica e educomunicação.
Com a experiência adquirida na direção estratégica do programa, pude orientar a equipe na escrita, revisão e formatação dos materiais, articulando fundamentos teóricos, intencionalidade pedagógica e estratégias metodológicas capazes de dialogar com diferentes realidades escolares e os recursos oferecidos nos prédios. Cada sequência foi planejada considerando o repertório dos alunos, as características específicas de cada idade e série, os objetivos de aprendizagem e as demandas estabelecidas pelo programa.
Ao dirigir a equipe pedagógica do programa e da mantenedora, ampliei o trabalho desenvolvido em outras iniciativas, agora em um contexto de implementação com prédios próprios e infraestrutura personalizada. O projeto exigiu presença constante: videoconferências, visitas in loco, protocolos, formações e validações contínuas. Desde o início, percebi que, mais do que produzir materiais, era fundamental apoiar os docentes na construção de sentido. A tecnologia, por si só, não transforma; o que transforma é a forma como o professor se apropria dela, reinventa sua prática e permite que os alunos se tornem protagonistas. Esse entendimento orientou meu trabalho e me levou a investir de maneira intensa na formação e na criação de condições pedagógicas que sustentassem cada ação planejada.
Minha experiência nos diferentes segmentos da escola e como pesquisador contribuíram significativamente para o desenvolvimento das trilhas pedagógicas, para a logística com a rede e para o diálogo com os serviços públicos das diversas unidades envolvidas. Foi um processo de planejamento, acompanhamento, análise crítica e, acima de tudo, presença humana. Carrego dessas experiências a convicção de que tecnologia e inovação só fazem sentido quando estão a serviço das pessoas e de que a liderança pedagógica precisa sempre unir intencionalidade, escuta, técnica e sensibilidade.
Material complementar: https://ojs.studiespublicacoes.com.br/ojs/index.php/cadped/article/view/4831/3317