Encontro reuniu educadores, pastoralistas, docentes e representantes da comunidade para aprofundar a primeira encíclica do Papa Leão XIV.
No Rincão da Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP), foi espaço de encontro, formação e diálogo para educadores e agentes de pastoral do Sub Regional Aparecida da CNBB, com uma Noite Formativa da Pastoral Universitária e da Educação, realizada em 16 de setembro de 2026. Promovida pela Faculdade Canção Nova em parceria com a Pastoral da Educação, Ensino Religioso e Universidades do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a iniciativa teve como eixo central a Carta Encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV.

A programação integrou momentos de formação, diálogo e convivência e contou com a participação de Dom Carlos Lema Garcia, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e Vigário Episcopal para Educação e a Universidade, e do Prof. Dr. Diego Kenji de Almeida Marihama, coordenador do Setor Universidades da CNBB e coordenador acadêmico da Fundação São Paulo. Também participou da reflexão o Diretor Geral da Faculdade Canção Nova – Prof. Rafael Antonio Oliveira.
Uma noite para pensar a educação a partir da pessoa humana
A Magnifica Humanitas, primeira encíclica do Papa Leão XIV, publicada em maio de 2026, apresenta uma reflexão sobre a salvaguarda da pessoa humana diante dos desafios provocados pelo desenvolvimento tecnológico e pela inteligência artificial. O documento retoma a tradição da Doutrina Social da Igreja e estabelece um diálogo com as questões sociais. Na abertura da formação, Dom Carlos Lema Garcia apresentou elementos fundamentais do documento e percorreu aspectos do desenvolvimento da Doutrina Social da Igreja, situando a missão eclesial diante das novas tecnologias. A reflexão colocou em primeiro plano uma questão que atravessa toda a encíclica: como utilizar os avanços tecnológicos sem perder de vista a dignidade, a liberdade e a centralidade da pessoa?

Na sequência, Prof. Diego Marihama aprofundou a relação entre inteligência artificial e educação, abordando as consequências do avanço das tecnologias digitais para os processos educativos e para a formação das novas gerações.
A discussão dialogou com uma das preocupações centrais da Magnifica Humanitas: a tecnologia deve estar a serviço da pessoa e do bem comum. Segundo o Vatican News (2026), a encíclica chama atenção para o fato de que a inteligência artificial não é simplesmente uma força contrária ao ser humano, mas também não é neutra, uma vez que carrega as escolhas daqueles que a desenvolvem, financiam, regulam e utilizam.
Do conteúdo à experiência
Um dos momentos importantes da Noite Formativa foi a passagem da exposição para a participação. Depois das palestras, os participantes foram organizados em rodas de conversa, criando um espaço de escuta, partilha e elaboração das questões apresentadas durante a noite.
A dinâmica permitiu aproximar os princípios da encíclica das experiências concretas vividas nas escolas, universidades e espaços de pastoral. As discussões partiram dos desafios provocados pela inteligência artificial, mas chegaram a questões mais amplas relacionadas à formação humana, à responsabilidade dos educadores, ao uso ético das tecnologias e ao papel das instituições educativas.

Essa perspectiva encontra sintonia com a própria Magnifica Humanitas, que propõe uma renovação da aliança educativa e destaca a escola e a universidade como lugar de aprendizagem, busca da verdade e desenvolvimento da capacidade de pensar criticamente.
Educação, tecnologia e humanização
Ao reunir a reflexão sobre a encíclica com uma experiência concreta de educação católica, a Noite Formativa colocou em diálogo três dimensões: fé, educação e tecnologia.
A discussão sobre inteligência artificial deixou de ser tratada exclusivamente como uma questão técnica. O encontro conduziu os participantes a pensar sobre as escolhas que acompanham o desenvolvimento tecnológico e sobre os impactos dessas escolhas na formação das pessoas.
A Magnifica Humanitas parte justamente dessa preocupação. Para o Papa Leão XIV, o desafio atual está em construir um progresso que preserve aquilo que há de próprio no ser humano: sua capacidade de relação, liberdade, responsabilidade, abertura ao outro e busca pela verdade.
Nesse horizonte, a educação assume papel estratégico. Em vez de simplesmente acompanhar as novidades tecnológicas, as instituições educativas são chamadas a formar pessoas capazes de compreender, utilizar e discernir diante dessas novas ferramentas.
Para os participantes, a experiência representou uma oportunidade de reconhecer que os desafios impostos pela inteligência artificial exigem formação permanente, diálogo entre diferentes áreas do conhecimento e atenção constante à pessoa humana.
Ao aproximar a reflexão do Magistério da Igreja das práticas educacionais, a iniciativa da Faculdade Canção Nova e do Regional Sul 1 da CNBB reforçou a importância de criar espaços nos quais educadores, gestores, docentes, pastoralistas e estudantes possam pensar juntos os caminhos da educação diante das mudanças tecnológicas.
Em um tempo marcado pela presença crescente da inteligência artificial, a mensagem central da Magnifica Humanitas permanece como provocação para as instituições educativas: o avanço da tecnologia precisa caminhar acompanhado de uma profunda atenção àquilo que torna a humanidade verdadeiramente humana.